{"id":1626,"date":"2012-04-13T14:05:40","date_gmt":"2012-04-13T16:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=1626"},"modified":"2022-09-04T21:16:59","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:59","slug":"direito-das-mulheres-a-interrupcao-de-gestacao-de-fetos-anencefalos-vitoria-democratica-e-laica-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/direito-das-mulheres-a-interrupcao-de-gestacao-de-fetos-anencefalos-vitoria-democratica-e-laica-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Direito das mulheres \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o de gesta\u00e7\u00e3o de fetos anenc\u00e9falos: vit\u00f3ria democr\u00e1tica e laica para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>http:\/\/www.cfemea.org.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=3684:kauara-rodrigues-centro-feminista-de-estudos-e-assessoriacfemea-brasiliadf-e-vanda-regina-albuquerque-coletivo-leila-diniz-natal<\/p>\n<p>Com oito votos a favor e dois contra a A\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, o Plen\u00e1rio da Corte aprovou, nesta quinta-feira (12), a descriminaliza\u00e7\u00e3o da antecipa\u00e7\u00e3o do parto em caso de gravidez de feto anenc\u00e9falo. O Supremo Tribunal Federal (STF) protege assim as mulheres da tortura e indignidade de ter de levar a cabo a gravidez que deseja interromper, porque o feto n\u00e3o tem chance de vida extra-uterina.<br \/>\nTalvez desde a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, em 2006, as mulheres brasileiras n\u00e3o tenham tido reconhecimento de direito t\u00e3o relevante para a garantia dos direitos humanos no pa\u00eds. Lutar e conquistar a dispensa de autoriza\u00e7\u00e3o judicial para interromper a gesta\u00e7\u00e3o de feto anenc\u00e9falo representa um passo crucial no respeito \u00e0 autonomia, \u00e0 dignidade e aos direitos reprodutivos das mulheres.<\/p>\n<p>Os dois longos dias de julgamento n\u00e3o se aproximam da dor das mulheres que foram obrigadas a levar a gravidez de um feto anenc\u00e9falo at\u00e9 o final ou percorrer uma verdadeira via crucis, por uma autoriza\u00e7\u00e3o judicial para interromp\u00ea-la. Sofrimento narrado no brilhante document\u00e1rio biogr\u00e1fico \u201cUma Hist\u00f3ria Severina\u201d, disponibilizado no youtube.<\/p>\n<p>Nesse sentido, garantir o direito \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o do parto \u00e9 permitir que a mulher tenha a op\u00e7\u00e3o de \u201cescolha pela menor dor\u201d, como defendeu a ministra Carmem L\u00facia em seu voto. Isso representa reconhecer as mulheres como sujeitos aut\u00f4nomos, com direito de optar pelo melhor caminho a seguir em um momento doloroso.<\/p>\n<p>O longo discurso do ministro relator Marco Aur\u00e9lio relembrou, por via da Hist\u00f3ria, que h\u00e1 tempos o Estado Brasileiro \u00e9 laico e deveria tomar suas decis\u00f5es baseado nos princ\u00edpios de direito. O Estado deve defender a liberdade religiosa, o direito de credo de cada pessoa e, por isso mesmo, pautar o debate e as decis\u00f5es do poder p\u00fablico no direito, e n\u00e3o em princ\u00edpios ou dogmas de qualquer religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, descriminalizar a mulher que opta por interromper uma gesta\u00e7\u00e3o de feto anenc\u00e9falo representa um avan\u00e7o democr\u00e1tico para avgarantia dos direitos reprodutivos. Trata-se do \u201cdireito da mulher de n\u00e3o ser um \u00fatero \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, como defendeu Lu\u00eds Roberto Barroso, advogado da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Sa\u00fade \u2013 CNTS, em sua sustenta\u00e7\u00e3o oral de defesa da ADPF no Supremo.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma conquista democr\u00e1tica e laica hist\u00f3rica que a cidadania brasileira deve sublinhar e reconhecer publicamente \u00e0 Severina e a todas as mulheres que, apesar da dor, decidiram enfrentar a longa batalha judicial; \u00e0 CNTS e \u00e0 Anis \u2013 Instituto de Bio\u00e9tica, Direitos Humanos e G\u00eanero que moveram e articularam toda essa ADPF no STF; aos movimentos feministas e de mulheres e a tod@s @s defensor@s dos direitos humanos que sustentaram sem tr\u00e9guas a autonomia das mulheres para decidir sobre manter ou interromper a gravidez e pelas mudan\u00e7as profundas que produziram para a efetiva\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Kauara Rodrigues &#8211; Centro Feminista de Estudos e Assessoria\/CFEMEA (Bras\u00edlia\/DF)<br \/>\nVanda Regina Albuquerque &#8211; Coletivo Leila Diniz (Natal\/RN)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>http:\/\/www.cfemea.org.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=3684:kauara-rodrigues-centro-feminista-de-estudos-e-assessoriacfemea-brasiliadf-e-vanda-regina-albuquerque-coletivo-leila-diniz-natal Com oito votos a favor e dois contra a A\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, o Plen\u00e1rio da Corte aprovou, nesta quinta-feira (12), a descriminaliza\u00e7\u00e3o da antecipa\u00e7\u00e3o do parto em caso de gravidez de feto anenc\u00e9falo. 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