{"id":2173,"date":"2012-06-26T19:13:07","date_gmt":"2012-06-26T21:13:07","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=2173"},"modified":"2022-09-04T21:16:57","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:57","slug":"terra-de-direitos-10-anos-a-assessoria-juridica-popular-na-luta-pelos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/terra-de-direitos-10-anos-a-assessoria-juridica-popular-na-luta-pelos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Terra de Direitos \u2013 10 anos! A assessoria jur\u00eddica popular na luta pelos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p> \u201cA justi\u00e7a \u00e9 o p\u00e3o do povo. Assim como o outro p\u00e3o,<br \/>\nDeve o p\u00e3o da justi\u00e7a ser preparado pelo povo:<br \/>\nBastante, saud\u00e1vel e di\u00e1rio!\u201d<br \/>\n(Bertold Brecht)<\/p>\n<p>No dia 15 de Junho de 2002, na cidade de Curitiba\/PR, nascia a Terra de Direitos, organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos gestada no seio das lutas sociais, com a miss\u00e3o de se somar ao combate das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, em especial a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Completamos hoje 10 anos de uma intensa caminhada que compartilhamos com todos os movimentos, organiza\u00e7\u00f5es, entidades e pessoas parceiras nestes anos de luta, reflex\u00e3o e conquistas.<\/p>\n<p>Em tempos de intensa mobiliza\u00e7\u00e3o social, no ano de 2002 a luta por direitos fazia-se acompanhar da ascens\u00e3o da viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o contra defensoras e defensores de direitos humanos. Cravada na origem e na ess\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o, a assessoria jur\u00eddica popular constituiu-se como o elemento caracter\u00edstico de uma atua\u00e7\u00e3o que se consolidou na medida da intera\u00e7\u00e3o entre o instrumental jur\u00eddico e pol\u00edtico, voltado para o avan\u00e7o dos direitos humanos, e o combate \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Percorrida uma d\u00e9cada de envolvimento na luta pela terra e territ\u00f3rios de comunidades tradicionais, na defesa da biodiversidade, dos direitos dos camponeses e do direito \u00e0 cidade, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias voltadas \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a no Brasil, \u00e9 com satisfa\u00e7\u00e3o que celebramos com as amigas e parceiros este momento de reflex\u00e3o, e oportunidade para celebrar!<\/p>\n<p>Nossos sinceros agradecimentos a todas e todos aqueles que contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o da nossa organiza\u00e7\u00e3o nestes 10 anos de trabalho cotidiano, desde o Paran\u00e1, Pernambuco, Par\u00e1 e Bras\u00edlia. Reafirmamos, neste dia, a convic\u00e7\u00e3o na luta do povo brasileiro, e o compromisso com os princ\u00edpios \u00e9ticos e pol\u00edticos que norteiam a caminhada rumo \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Brasil.<\/p>\n<p>Equipe da Terra de Direitos<\/p>\n<p>10 anos de hist\u00f3ria, e luta pelos direitos humanos<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2001, o Tribunal Internacional dos Crimes do Latif\u00fandio, realizado no Paran\u00e1, considerou o governo do estado culpado pela a\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o em casos de viol\u00eancia no campo. A den\u00fancia contra o estado somava ao assassinato do agricultor Antonio Tavares, na BR-277, uma dezena de casos de viol\u00eancia contra trabalhadores rurais sem terra cometidas durante o governo de Jaime Lerner.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 de dez anos atr\u00e1s vinha de um longo per\u00edodo de viol\u00eancia contra os movimentos sociais do campo. A luta pela reforma agr\u00e1ria no estado era intensa. Em contrapartida, a elite do agroneg\u00f3cio e pol\u00edticos locais agiam de forma criminosa, oprimindo o movimento popular no campo atrav\u00e9s\tda alian\u00e7a entre repress\u00e3o estatal e mil\u00edcias privadas, em crimes at\u00e9 hoje impunes. Na capital, eram diversos conflitos fundi\u00e1rios urbanos, com despejos for\u00e7ados e priva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 cidade, colocando em cheque a fama curitibana de \u201ccidade modelo\u201d do planejamento urbano.<\/p>\n<p>Esse contexto de conflitos e intensa viola\u00e7\u00e3o de direitos no campo e na cidade marca a origem da Terra de Direitos, fundada em 15 de junho de 2002. Desde o in\u00edcio da sua atua\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o teve como eixo central a defesa dos direitos humanos econ\u00f4micos, sociais, culturais e ambientais.<\/p>\n<p>O pastor Werner Fuchs, na \u00e9poca assessor nacional de forma\u00e7\u00e3o da CPT, militou nesse contexto e acompanhou o processo de cria\u00e7\u00e3o da Terra de Direitos. Da viv\u00eancia com os trabalhadores sem terra, Fuchs lembra que a assessoria jur\u00eddica popular era uma demanda sempre presente no movimento social: \u201cA CPT sempre viu a necessidade da assessoria jur\u00eddica e buscava atuar nesse sentido, mas n\u00e3o havia o acompanhamento t\u00e9cnico dos processos, os pr\u00f3prios grupos tinham que buscar [ajuda jur\u00eddica]\u201d.<\/p>\n<p>Nas recorda\u00e7\u00f5es do pastor, o Tribunal dos Crimes do Latif\u00fandio teve papel relevante para a funda\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o: \u201cFoi um evento nacional, com convidados de v\u00e1rios estados. O Tribunal ajudou a preparar e mostrou a necessidade da cria\u00e7\u00e3o da Terra de Direitos\u201d. O volume de demanda da \u00e9poca se expressa no n\u00famero de processos: nos primeiro anos de trabalho, a Terra de Direitos acompanhava cerca de 180 processos judiciais relacionados \u00e0 quest\u00e3o de conflitos pela terra.<\/p>\n<p>A assessoria jur\u00eddica popular constitui o elemento caracter\u00edstico da atua\u00e7\u00e3o, que se consolida na medida da intera\u00e7\u00e3o entre o instrumental jur\u00eddico e pol\u00edtico no combate \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, focado no avan\u00e7o dos direitos humanos no Brasil. Maria Izabel Grein, integrante da coordena\u00e7\u00e3o do MST, faz uma leitura sobre a atua\u00e7\u00e3o da Terra de Direitos que aponta para o significado pr\u00e1tico da assessoria jur\u00eddica popular. Para a dirigente, a organiza\u00e7\u00e3o exerce um papel relevante por orientar e acompanhar juridicamente os movimentos, ajudar na reflex\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o em grandes debates, e por assumir posicionamentos que contribuem para o avan\u00e7o das pautas dos movimentos.<\/p>\n<p>Optar pela assessoria jur\u00eddica popular como m\u00e9todo de trabalho leva \u00e0 atua\u00e7\u00e3o conjunta com os movimentos sociais, princ\u00edpio fundamental da organiza\u00e7\u00e3o, determinado desde sua origem. \u201cNeste tempo de atua\u00e7\u00e3o, a Terra de Direitos tem estado junto aos movimentos sociais cumprindo uma fun\u00e7\u00e3o importante, pois as pessoas mais pobres s\u00e3o justamente as que t\u00eam mais dificuldades de acessar a justi\u00e7a\u201d, avalia a integrante do MST.<\/p>\n<p>Desta atua\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 crimininaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, e tendo vista o foco da transforma\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 justi\u00e7a em prol dos defensores de direitos humanos, a Terra de Direitos \u00e9 convidada, no ano de 2006, a estender sua atua\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o Nordeste, com um escrit\u00f3rio no estado de Pernambuco. Intensos anos de luta partilhados com os camponeses, quilombolas e organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos pernambucanas.<\/p>\n<p>Na luta pela terra, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais foi sempre acompanhada do combate \u00e0 viol\u00eancia contra defensores de direitos humanos. Somando-se \u00e0 sua luta, contribuindo ao longo dos anos no tema da prote\u00e7\u00e3o aos defensores de direitos humanos no Norte do pa\u00eds, a Terra de Direitos aceita o desafio de consolidar a sua contribui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, implantando, no ano de 2009, um escrit\u00f3rio na cidade de Santar\u00e9m\/PA, regi\u00e3o amaz\u00f4nica que apresenta diversos conflitos fundi\u00e1rios ind\u00edgenas, quilombolas.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dos caminhos da assessoria jur\u00eddica popular nas quest\u00f5es agr\u00e1rias, urbanas, e da biodiversidade, em parceira com a Rede Nacional de Advogadas\/os Populares, a Plataforma Dhesca, Rede Desc Internacional, dentre outras articula\u00e7\u00f5es de direitos humanos, levou a Terra de Direitos a dar in\u00edcio, no ano de 2008, a um processo de debates sobre as tend\u00eancias e estrat\u00e9gias da dimens\u00e3o jur\u00eddica da luta pelos direitos humanos.<\/p>\n<p>Desse modo, o olhar sobre o acesso \u00e0 justi\u00e7a, bem como a rela\u00e7\u00e3o entre o sistema de justi\u00e7a e os direitos humanos passaram a figurar dentre as preocupa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas da organiza\u00e7\u00e3o. Diante da necessidade de superar entraves no campo da litig\u00e2ncia estrat\u00e9gica, um conjunto de a\u00e7\u00f5es foram planejadas com o objetivo de avan\u00e7ar na democratiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, por meio da constru\u00e7\u00e3o de mecanismos de monitoramento e participa\u00e7\u00e3o social na pol\u00edtica de justi\u00e7a do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O resultado do trabalho conjunto com outras organiza\u00e7\u00f5es foi a cria\u00e7\u00e3o da Articula\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a e Direitos Humanos (JusDH), lan\u00e7ada em outubro de 2011, com o objetivo de fortalecer o monitoramento e incid\u00eancia no judici\u00e1rio. Tamb\u00e9m como resultado da atua\u00e7\u00e3o no campo da pol\u00edtica de justi\u00e7a, a Terra de Direitos estende no mesmo ano a sua atua\u00e7\u00e3o para o planalto central, implantando uma representa\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia\/DF.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da defesa do meio ambiente: a defesa da biodiversidade<\/p>\n<p>O debate sobre quest\u00e3o das sementes, dos agrot\u00f3xicos e das transnacionais entrou nos temas de atua\u00e7\u00e3o da Terra de Direitos j\u00e1 nos primeiros anos, no eixo \u201cMeio Ambiente\u201d, que mais tarde passou a ser chamado \u201cBiodiversidade e Soberania Alimentar\u201d. Maria Rita Reis, assessora jur\u00eddica Terra de Direitos que contribuiu para a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho no eixo, hoje conselheira da organiza\u00e7\u00e3o, lembra que a atua\u00e7\u00e3o foi orientada pelas conjuntura nacional e principalmente a partir das demandas dos movimentos sociais, como o Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) e movimentos ligados \u00e0 Via Campesina.<\/p>\n<p>As Jornadas de Agroecologia, realizadas pela Via Campesina desde 2002, foram momentos importantes para a defini\u00e7\u00e3o dos temas estrat\u00e9gicos, de onde sa\u00edram interven\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o aos transg\u00eanicos e agrot\u00f3xicos. Tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o em 2006 da 8\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre Biodiversidade (COP-8), em Curitiba, marcou a entrada do tema biodiversidade como eixo de atua\u00e7\u00e3o na Terra de Direitos. Na resist\u00eancia \u00e0s sementes transg\u00eanicas, em 2007 a Terra de Direitos, em parceria com outras organiza\u00e7\u00f5es, moveu uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica contra a libera\u00e7\u00e3o do plantio de milho transg\u00eanico no Brasil, conquistando a suspens\u00e3o do plantio at\u00e9 2009.<\/p>\n<p>Um momento emblem\u00e1tico na hist\u00f3ria da luta em defesa da biodiversidade foi ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da Syngenta no Paran\u00e1 por integrantes da Via Campesina, em 2007. Durante uma tentativa de despejo, Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foi assassinado por uma mil\u00edcia contrata pela empresa. O mart\u00edrio de Keno simboliza a luta em defesa da biodiversidade no Brasil.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds, a luta social vem enfrentando grandes batalhas no contexto de constru\u00e7\u00e3o de grandes obras, hidrel\u00e9tricas, portos graneleiros, explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, monoculturas de gr\u00e3os e pecu\u00e1ria que amea\u00e7am comunidades tradicionais e ind\u00edgenas e colocam em risco a biodiversidade. Esse cen\u00e1rio exige ainda mais a organiza\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o e o empoderamento dos povos para exigir efetiva\u00e7\u00e3o de direitos e melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida. Nesse sentido, a Terra de Direitos vem trabalhando na amaz\u00f4nia em articula\u00e7\u00e3o com movimentos e organiza\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o para contribuir com a luta das comunidades, trabalhando no acesso \u00e0 justi\u00e7a e intervindo nos debates sobre o avan\u00e7o do chamado capitalismo verde e os seus efeitos sobre o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O Desafios na prote\u00e7\u00e3o dos defensores de direitos humanos em tempos de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais<\/p>\n<p>Incomodar os poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos respons\u00e1veis por viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos custa amea\u00e7as, viol\u00eancia ou mesmo a vida de defensores de direitos humanos. A cada ano, novos crimes chamam a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica eficiente para a prote\u00e7\u00e3o de defensores de direitos no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cTanto as pessoas quanto as organiza\u00e7\u00f5es que lutam e trabalham por direitos humanas t\u00eam sido criminalizadas. Toda vez que desenvolvem seus trabalhos e lutas sofrem ataques e amea\u00e7as\u201d, \u00e9 o que avalia um dos fundadores da Terra de Direitos, Darci Frigo, tamb\u00e9m com experi\u00eancia nesse tema pelos anos de atua\u00e7\u00e3o na CPT. Segundo Frigo, o trabalho com defensores de direitos humanos foi escolhido pela Terra de Direitos pelo papel imprescind\u00edvel que cumprem: \u201cSem defensores de direitos humanos e organiza\u00e7\u00f5es voltadas para essa atua\u00e7\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o vamos avan\u00e7ar na garantia dos direitos humanos no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>No hist\u00f3rico dos passos dados no sentido de garantir a prote\u00e7\u00e3o de defensores\/as amea\u00e7ados\/das, est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, em 2004, do qual a Terra de Direitos passa a fazer parte. O Comit\u00ea re\u00fane hoje cerca de 30 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e movimentos sociais, tendo como principal a\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o anual da realiza\u00e7\u00e3o do Programa Prote\u00e7\u00e3o dos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), lan\u00e7ado em 2004 2004 pela Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SDH).<\/p>\n<p>Em 2006, Terra de Direitos recebeu o pr\u00eamio Dorothy Stang &#8211; Defensores de Direitos Humanos, da SDH, pela atua\u00e7\u00e3o no tema e contribui\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do Programa de Prote\u00e7\u00e3o aos Defensores de Direitos Humanos, lan\u00e7ado no qual a Terra de Direitos, junto com outras organiza\u00e7\u00f5es, comp\u00f5e a coordena\u00e7\u00e3o nacional, pela sociedade civil.<\/p>\n<p>O boletim \u201cDefensores e Defensoras dos Direitos Humanos no Brasil\u201d, lan\u00e7ado em 2010 pela Terra de Direitos e Justi\u00e7a Global, aponta desafios para a efetiva\u00e7\u00e3o do PPDDH: acelerar a aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 4575\/2009 regulamenta o PPDDH como pol\u00edtica de Estado; o combate \u00e0s causas das amea\u00e7as, em geral ligadas a conflitos no campo; promover campanhas sobre os defensores de direitos humanos para informar a sociedade sobre o seu papel; a prote\u00e7\u00e3o policial; capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e pol\u00edtica aos atores envolvidos na prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Luta pelo direito \u00e0 cidade na capital da contradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>D\u00e9ficit habitacional e car\u00eancia nos servi\u00e7os p\u00fablicos x supervaloriza\u00e7\u00e3o das terras e segrega\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias de menor renda no acesso \u00e0 moradia e \u00e0 cidade. Os trabalhadores j\u00e1 viviam esse dilema em Curitiba h\u00e1 10 anos, e, apesar das iniciativas governamentais para acesso \u00e0 moradia e da fama de \u201ccapital modelo\u201d permanecer, pouca coisa mudou.<\/p>\n<p>Com o olhar voltado para as contradi\u00e7\u00f5es da capital, a Terra de Direitos iniciou a atua\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o urbana j\u00e1 no primeiro ano de funda\u00e7\u00e3o, apesar de ter a origem bem marcada na luta camponesa. \u201cEmbora a quest\u00e3o urbana n\u00e3o fosse central na agenda de atua\u00e7\u00e3o inicial da Terra de Direitos, ela emergiu e sempre se fez presente, de forma respons\u00e1vel e democr\u00e1tica\u201d, avalia Rosa Moura, pesquisadora do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social &#8211; IPARDES, que acompanhou de perto as a\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o nesse tema naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para Rosa Moura, a Terra de Direitos assumiu papel importante enquanto secretaria executiva do Observat\u00f3rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas Paran\u00e1, em 2003, na constru\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Confer\u00eancia da Cidade de Curitiba. A partir da articula\u00e7\u00e3o com outras entidades e movimentos, houve a possibilidade da convoca\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia pela sociedade civil, um avan\u00e7o significativo em tempos de \u201cgrande sil\u00eancio\u201d em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o social, de acordo com a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em 2007, a atua\u00e7\u00e3o conjunta a outras organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m contribuiu de forma decisiva na realiza\u00e7\u00e3o do projeto \u201cDireito e Cidadania\u201d, que teve como objetivo central a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria do Sabar\u00e1, vila da Cidade Industrial de Curitiba. Al\u00e9m de entrar com uma a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o coletiva para regulariza\u00e7\u00e3o dos lotes, o projeto contribuiu no empoderamento dos moradores e no fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o popular local. A experi\u00eancia foi escola para estudantes e militantes rec\u00e9m chegados no debate do direito \u00e0 moradia e na pr\u00e1tica da assessoria jur\u00eddica e educa\u00e7\u00e3o popular. Em 2011, o projeto teve reconhecimento nacional ao conquistar o Pr\u00eamio Innovare na categoria \u201cAdvocacia\u201d, com a tem\u00e1tica \u201cJusti\u00e7a e Inclus\u00e3o Social\u201d.<\/p>\n<p>Assim como no Sabar\u00e1, a Terra de Direitos atuou e segue contribuindo na defesa dos direitos de comunidades de Curitiba e Regi\u00e3o Metropolitana, jur\u00eddica e politicamente. Tamb\u00e9m participa de forma atuante no Comit\u00ea Popular da Copa em Curitiba e na Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Comit\u00eas, que t\u00eam denunciado irregularidades e viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas em nome dos megaeventos.<\/p>\n<p>10 anos de hist\u00f3ria, dezenas de vozes e opini\u00f5es<br \/>\nEm 10 anos de hist\u00f3ria muitas pessoas, vozes e opini\u00f5es cruzaram o caminho da Terra de Direitos, em diversos momentos e espa\u00e7os. Ao longo deste ano, esta hist\u00f3ria ser\u00e1 contada com toda esta riqueza de contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>15.06.2012<\/p>\n<p>http:\/\/terradedireitos.org.br\/biblioteca\/terra-de-direitos-10-anos-a-assessoria-juridica-popular-na-luta-pelos-direitos-humanos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA justi\u00e7a \u00e9 o p\u00e3o do povo. Assim como o outro p\u00e3o, Deve o p\u00e3o da justi\u00e7a ser preparado pelo povo: Bastante, saud\u00e1vel e di\u00e1rio!\u201d (Bertold Brecht) No dia 15 de Junho de 2002, na cidade de Curitiba\/PR, nascia a Terra de Direitos, organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos gestada no seio das lutas sociais, com a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"anos":[],"projetos":[],"autorias":[],"eixos_tematicos":[],"locais":[],"pessoas":[],"estado":[],"academia":[],"sociedade_civil":[],"class_list":["post-2173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18099,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2173\/revisions\/18099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2173"},{"taxonomy":"anos","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/anos?post=2173"},{"taxonomy":"projetos","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/projetos?post=2173"},{"taxonomy":"autorias","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/autorias?post=2173"},{"taxonomy":"eixos_tematicos","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/eixos_tematicos?post=2173"},{"taxonomy":"locais","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/locais?post=2173"},{"taxonomy":"pessoas","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pessoas?post=2173"},{"taxonomy":"estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/estado?post=2173"},{"taxonomy":"academia","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/academia?post=2173"},{"taxonomy":"sociedade_civil","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/sociedade_civil?post=2173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}