{"id":4673,"date":"2013-01-18T12:30:51","date_gmt":"2013-01-18T14:30:51","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=4673"},"modified":"2022-09-04T21:16:23","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:23","slug":"moradores-da-comunidade-estradinha-seguem-firmes-na-resistencia-a-ameaca-de-remocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumjustica.com.br\/en\/moradores-da-comunidade-estradinha-seguem-firmes-na-resistencia-a-ameaca-de-remocao\/","title":{"rendered":"Moradores da comunidade Estradinha seguem firmes na resist\u00eancia \u00e0 amea\u00e7a de remo\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos de Adriana Medeiros<\/em><\/p>\n<p><div id=\"attachment_4682\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha_0017.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4682\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha_0017.jpg\" alt=\"\" title=\"AM_Estradinha_0017\" width=\"768\" height=\"509\" class=\"size-full wp-image-4682\" srcset=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha_0017.jpg 768w, https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha_0017-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4682\" class=\"wp-caption-text\">Irm\u00e3 F\u00e1tima se re\u00fane com moradores<\/p><\/div><br \/>\nA comunidade Estradinha-Tabajaras, localizada em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, \u00e9 exemplo de resist\u00eancia frente \u00e0 pol\u00edtica de remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas da Prefeitura do Rio de Janeiro. As cerca de 100 fam\u00edlias que residem ali n\u00e3o cederam \u00e0s press\u00f5es dos agentes p\u00fablicos que, em meados de 2010, tentaram retir\u00e1-las do local. Na \u00e9poca, a Defensoria P\u00fablica conseguiu na justi\u00e7a a perman\u00eancia da comunidade e que fosse determinada a retirada dos entulhos que restaram da destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 250 casas \u2013 o que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi feito.  De l\u00e1 para c\u00e1, os moradores se conscientizaram do direito de permanecer onde ergueram suas moradias e constru\u00edram suas hist\u00f3rias. Por este motivo, n\u00e3o cederam \u00e0s press\u00f5es de agentes da Prefeitura que, na segunda semana deste ano de 2013, voltaram ao local para &#8220;renegociar as casas&#8221;. Segundo a vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da comunidade, Maria de F\u00e1tima Amorim, eles est\u00e3o firmes na decis\u00e3o de continuar por l\u00e1. Com apoio de engenheiros e arquitetos integrantes de um Coletivo T\u00e9cnico, atualmente eles trabalham na elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o para a comunidade.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a de remo\u00e7\u00e3o continua sendo uma realidade, dessa vez pelo programa \u201cMorar Carioca\u201d, o qual \u201cn\u00e3o \u00e9 apenas um programa de urbaniza\u00e7\u00e3o, mas incorpora um pacote de remo\u00e7\u00f5es planejadas\u201d, analisa o cientista social Alexandre Magalh\u00e3es, militante da Rede Contra a Viol\u00eancia. Maria de F\u00e1tima Amorim concorda com essa avalia\u00e7\u00e3o. \u201cApesar de ser apresentado como diferente, esse projeto [Morar Carioca] d\u00e1 apena continuidade ao que vinha sendo feito antes. E continua n\u00e3o ouvindo os principais interessados, os moradores. \u00c9 total a falta de di\u00e1logo\u201d, conta a lideran\u00e7a.  Pernambucana, ela vive na Estradinha h\u00e1 28 anos e viu nascerem ali muitas das casas que, anos depois, a gest\u00e3o de Eduardo Paes viria derrubar. \u201cDurante o governo Saturnino Braga (1986-1988) foram assentadas 42 fam\u00edlias na comunidade, que come\u00e7ou a ser formada anteriormente por trabalhadores da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia que passavam pelo local carregando corpos \u2013 por isso o nome Estradinha\u201d, conta \u201cirm\u00e3 F\u00e1tima\u201d, como \u00e9 conhecida na comunidade. Segundo ela, durante o assentamento do final da d\u00e9cada de 1980, a Prefeitura efetuou um estudo do solo e inclusive doou materiais de constru\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de compr\u00e1-los. \u201cO material veio, mas os pr\u00f3prios moradores ergueram suas casas em ritmo de mutir\u00e3o. Eu fui uma que bati laje\u201d, lembra.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, foram v\u00e1rias as tentativas de remo\u00e7\u00e3o da comunidade, que fica nos fundos do Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista. Foi assim nas gest\u00f5es dos prefeitos C\u00e9sar Maia e Luiz Paulo Conde, por exemplo. Com Eduardo Paes, eleito em 2008, a hist\u00f3ria se repete. A amea\u00e7a continua, j\u00e1 que o Rio de Janeiro tem sido palco de uma dura pol\u00edtica de expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre de \u00e1reas nobres da cidade.<\/p>\n<p><strong>Chuvas de 2010 foram usadas como justificativa para expuls\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Desde o final de 2009 agentes da Prefeitura passaram a visitar a comunidade Estradinha-Tabajaras e fotografar as moradias. Eles diziam que estavam recolhendo informa\u00e7\u00f5es para um \u201ccenso\u201d, mas depois come\u00e7aram a negociar as casas com moradores, principalmente os da parte mais alta do morro, que moravam h\u00e1 menos tempo no local e n\u00e3o tinham tanto apego \u00e0 terra. Em abril de 2010, as chuvas que resultaram em trag\u00e9dia no Rio foram usadas como justificativa para dar continuidade ao plano de retirada da comunidade. \u201cO \u00fanico preju\u00edzo da Estradinha na \u00e9poca das chuvas foi a perda de um fusquinha, mas o Eduardo Paes encontrou a desculpa que precisava. Entramos no \u2018pacot\u00e3o\u2019 de outras comunidades em risco\u201d, avalia a lideran\u00e7a comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ela conta que muitos moradores aceitaram sair, pois acreditaram que estavam em perigo. \u201cEssa foi a estrat\u00e9gia que o prefeito usou para retirar 250 fam\u00edlias daqui do morro. Enganados e sem esperan\u00e7a, muitos foram para a Baixada Fluminense, Nova Igua\u00e7u, Triagem&#8230; N\u00e3o s\u00e3o poucos os que retornam e choram sobre os entulhos de suas casas. O que foi feito aqui foi uma grande covardia\u201d, desabafa.<\/p>\n<p><div id=\"attachment_4683\" style=\"width: 621px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4683\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha4.jpg\" alt=\"\" title=\"AM_Estradinha4\" width=\"611\" height=\"922\" class=\"size-full wp-image-4683\" srcset=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha4.jpg 611w, https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/AM_Estradinha4-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4683\" class=\"wp-caption-text\">Entulhos deixados pela Prefeitura na comunidade<\/p><\/div><br \/>\nComo h\u00e1 muita falta de informa\u00e7\u00e3o e total aus\u00eancia de di\u00e1logo por parte do poder p\u00fablico com os moradores, os motivos para a expuls\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o muito claros. \u201cExiste a suspeita de constru\u00e7\u00e3o de uma estrada at\u00e9 o Shopping Rio Sul e tamb\u00e9m j\u00e1 foi levantada a hip\u00f3tese de haver interesses do empres\u00e1rio Eike Batista na regi\u00e3o e outras motiva\u00e7\u00f5es de natureza imobili\u00e1ria\u201d, esclarece Alexandre Magalh\u00e3es. Outra avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que a regi\u00e3o em que a Estradinha est\u00e1 localizada \u00e9 de grande interesse para o mercado funer\u00e1rio. No dia 7 de agosto de 2011, uma mat\u00e9ria do jornal O Globo mostrou como o metro quadrado de um jazigo no Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista (R$ 79 mil) vale mais do que o dobro do metro quadrado de um apartamento nas avenidas Vieira Souto, em Ipanema, e Delfim Moreira, no Leblon, os mais caros do Rio de Janeiro (R$30 mil a R$35 mil).<\/p>\n<p><strong>Moradores resistem e constroem projeto alternativo<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s verem as casas erguidas por suas pr\u00f3prias m\u00e3os irem ao ch\u00e3o, moradores da Estradinha come\u00e7aram a resistir. Conseguiram o apoio de um Coletivo T\u00e9cnico, que se constituiu em torno do Conselho Popular e do antigo N\u00facleo de Terras e Habita\u00e7\u00e3o (NUTH), da Defensoria P\u00fablica do Rio. Este grupo, composto de profissionais de diferentes \u00e1reas, foi formado com o objetivo de apoiar a luta de diversas comunidades contra as remo\u00e7\u00f5es. Um de seus integrantes, o engenheiro Maur\u00edcio Campos, militante da Rede Contra a Viol\u00eancia, avaliou o terreno da Estradinha na \u00e9poca e elaborou um contra-laudo, que questionava um estudo da Funda\u00e7\u00e3o Geo-Rio usado como refer\u00eancia para a remo\u00e7\u00e3o. Segundo Campos, a \u00e1rea de risco era muito pequena, o que poderia ser corrigido com uma obra de conten\u00e7\u00e3o. Questionada, a Prefeitura contratou a Concremat para apresentar um novo estudo (foto), que veio confirmar a avalia\u00e7\u00e3o de Campos. Ou seja: o pr\u00f3prio laudo t\u00e9cnico desmentia a justificativa usada para a remo\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<div id=\"attachment_4677\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/aaaa1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4677\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/aaaa1.png\" alt=\"\" title=\"aaaa\" width=\"372\" height=\"513\" class=\"size-full wp-image-4677\" srcset=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/aaaa1.png 372w, https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/aaaa1-218x300.png 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4677\" class=\"wp-caption-text\">&quot;\u00c1rea de risco ou de rico?&quot; - questiona mural  <\/p><\/div><br \/>\nSeguros de que n\u00e3o corriam perigo, resolveram permanecer no local. Na \u00e9poca, ap\u00f3s uma a\u00e7\u00e3o movida pela Defensoria P\u00fablica do Estado do Rio, por meio do N\u00facleo de Terras e Habita\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a determinou a suspens\u00e3o das demoli\u00e7\u00f5es e a retirada de entulhos da comunidade, o que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi feito. Enquanto isso, as fam\u00edlias que sobraram  est\u00e3o h\u00e1 mais de um ano trabalhando em um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o da Estradinha. Para isso, contam com a assessoria de uma equipe de arquitetos e engenheiros, tamb\u00e9m integrantes do Coletivo T\u00e9cnico, que prezam bastante pela ativa participa\u00e7\u00e3o dos moradores nesse processo.  Na imagem abaixo, um levantamento de como est\u00e1 a comunidade hoje e a proposta de reconstru\u00e7\u00e3o, feita por quem vive l\u00e1 com apoio de profissionais:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.piratininga.org.br\/images\/estradinha_reconstrucao.jpg\" class=\"alignnone\" width=\"644\" height=\"226\" \/><br \/>\nAgentes da Prefeitura voltaram ao local neste in\u00edcio de 2013 para &#8220;negociar&#8221; a ida das fam\u00edlias para Triagem. Segundo irm\u00e3 F\u00e1tima, a participa\u00e7\u00e3o dos moradores nesse projeto de reconstru\u00e7\u00e3o serviu para fortalecer a resist\u00eancia. Apesar de a p\u00e1gina do programa Morar Carioca <a href=\"http:\/\/\">http:\/\/www.iabrj.org.br\/morarcarioca\/2012\/11\/apresentacao-ao-grupo-gestor-do-morar-carioca-do-diagnostico-consolidado-das-favelas-lad-dos-tabajaras-no-256-lad-dos-tabajaras-lad-dos-tabajaras-no-248-mangueira-ra-botafogo-morro-da-saudade\/<\/a>  informar que j\u00e1 h\u00e1 um diagn\u00f3stico consolidado para a regi\u00e3o, os moradores n\u00e3o foram consultados. Diz o site que o projeto foi apresentado no final do ano passado pelo escrit\u00f3rio LVA. \u201cA Prefeitura age assim. Eles organizam reuni\u00f5es para fingir que tem di\u00e1logo com a comunidade, mas o que ocorre \u00e9 um teatro. Eles j\u00e1 chegam com tudo decidido, apenas para mostrar pra gente. Em algumas, impedem at\u00e9 lideran\u00e7as comunit\u00e1rias de participar. Que democracia \u00e9 essa, que o povo n\u00e3o pode opinar?\u201d, questiona a moradora.<\/p>\n<p>Apesar do receio, ela se mostra otimista, pois, na sua opini\u00e3o, esses anos serviram para dar seguran\u00e7a aos moradores e torn\u00e1-los mais conscientes de seus direitos.  Segundo irm\u00e3 F\u00e1tima, com apoio do Coletivo T\u00e9cnico e da Defensoria P\u00fablica, eles continuam firmes na resist\u00eancia.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/\"><br \/>\nhttp:\/\/www.piratininga.org.br\/novapagina\/leitura.asp?id_noticia=11500&#038;topico=Cidades<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotos de Adriana Medeiros A comunidade Estradinha-Tabajaras, localizada em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, \u00e9 exemplo de resist\u00eancia frente \u00e0 pol\u00edtica de remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas da Prefeitura do Rio de Janeiro. 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