{"id":6020,"date":"2013-05-21T09:00:55","date_gmt":"2013-05-21T11:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=6020"},"modified":"2022-09-04T21:16:17","modified_gmt":"2022-09-05T00:16:17","slug":"por-que-as-cotas-raciais-deram-certo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumjustica.com.br\/es\/por-que-as-cotas-raciais-deram-certo-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que as cotas raciais deram certo no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>ISTO \u00c9 &#8211; COMPORTAMENTO |  N\u00b0 Edi\u00e7\u00e3o:  2264 |  05.Abr.13 &#8211; 21:00 |  Atualizado em 18.Mai.13 &#8211; 14:52<\/p>\n<p>Pol\u00edtica de inclus\u00e3o de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os \u00edndices de evas\u00e3o. Acima de tudo, est\u00e1 transformando a vida de milhares de brasileiros<\/p>\n<p>Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso<\/p>\n<p>Antes de pedalar pelas ruas de Amsterd\u00e3 com uma bicicleta vermelha e um sorriso largo, como fez na tarde da quarta-feira da semana passada, \u00cdcaro Lu\u00eds Vidal dos Santos, 25 anos, percorreu um caminho duro, mas que poderia ter sido bem mais tortuoso. Talvez instranspon\u00edvel. Ele foi o primeiro cotista negro a entrar na Faculdade de Medicina da Federal da Bahia. Formando da turma de 2011, \u00cdcaro trabalha como cl\u00ednico geral em um hospital de Salvador. A foto ao lado celebra a alegria de algu\u00e9m que tinha tudo para n\u00e3o estar ali. \u00c9 que, no Brasil, a cor da pele determina as chances de uma pessoa chegar \u00e0 universidade. Para pobres e alunos de escolas p\u00fablicas, tamb\u00e9m s\u00e3o poucas as rotas dispon\u00edveis. Como tantos outros, \u00cdcaro re\u00fane v\u00e1rias barreiras numa s\u00f3 pessoa: sempre frequentou col\u00e9gio gratuito, sempre foi pobre \u2013 e \u00e9 negro. Mesmo assim, sua hist\u00f3ria \u00e9 diferente. Contra todas as probabilidades, tornou-se doutor diplomado, com dinheiro suficiente para cruzar o Atl\u00e2ntico e saborear a primeira viagem internacional. Sem a pol\u00edtica de cotas, ele teria passado os \u00faltimos dias pedalando nas pontes erguidas sobre os canais de Amsterd\u00e3? Imposs\u00edvel dizer com certeza, mas a resposta l\u00f3gica seria \u201cn\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722146860749983.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6021\" title=\"mi_9722146860749983\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722146860749983-240x300-1.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade p\u00fablica pelo sistema de cotas, h\u00e1 dez anos, muita bobagem foi dita por a\u00ed. Os cr\u00edticos ferozes afirmaram que o modelo rebaixaria o  n\u00edvel educacional e degradaria as universidades. Eles tamb\u00e9m disseram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desist\u00eancia dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclus\u00e3o. Os arautos do pessimismo profetizaram discrep\u00e2ncias do pr\u00f3prio vestibular, pois os cotistas seriam aprovados com notas vexat\u00f3rias se comparadas com o desempenho da turma considerada mais capaz. Para os apocal\u00edpticos, o sistema de cotas culminaria numa decrepitude completa: o \u00f3dio racial seria instalado nas salas de aula universit\u00e1rias, enquanto negros e brancos construiriam muros imagin\u00e1rios entre si. A segrega\u00e7\u00e3o venceria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acad\u00eamico brasileiro. Mas, surpresa: nada disso aconteceu. Um por um, todos os argumentos foram derrotados pela simples constata\u00e7\u00e3o da realidade. \u201cAt\u00e9 agora, nenhuma das justificativas das pessoas contr\u00e1rias \u00e0s cotas se mostrou verdadeira\u201d, diz Ricardo Vieiralves de Castro, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722184685626382.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6022\" title=\"mi_9722184685626382\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722184685626382-230x300-1.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados s\u00e3o, sim, competentes. Merecem, sim, frequentar uma universidade p\u00fablica e de qualidade. No vestibular, que \u00e9 o princ\u00edpio de tudo, os cotistas est\u00e3o s\u00f3 um pouco atr\u00e1s. Segundo dados do Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferen\u00e7a entre eles, portanto, ficou pr\u00f3xima de 3%. ISTO\u00c9 entrevistou educadores e todos disseram que essa dist\u00e2ncia \u00e9 mais do que razo\u00e1vel. Na verdade, \u00e9 quase nada. Se em uma disciplina t\u00e3o concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que estudaram em col\u00e9gios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas p\u00fablicas, ent\u00e3o \u00e9 justo supor que a diferen\u00e7a m\u00ednima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos. Depende s\u00f3 da disposi\u00e7\u00e3o do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais conceituadas do Pa\u00eds, os resultados do \u00faltimo vestibular surpreenderam. \u201cA maior diferen\u00e7a entre as notas de ingresso de cotistas e n\u00e3o cotistas foi observada no curso de economia\u201d, diz \u00c2ngela Rocha, pr\u00f3-reitora da UFRJ. \u201cMesmo assim, essa dist\u00e2ncia foi de 11%, o que, estatisticamente, n\u00e3o \u00e9 significativo.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722239931763974.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6023\" title=\"mi_9722239931763974\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722239931763974-195x300.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por ser recente, o sistema de cotas para negros carece de estudos que re\u00fanam dados gerais do conjunto de universidades brasileiras. Mesmo analisados separadamente, eles trazem respostas extraordin\u00e1rias. \u00c9 de se imaginar que os alunos oriundos de col\u00e9gios privados tenham, na universidade, desempenho muito acima de seus pares cotistas. Afinal, eles tiveram uma educa\u00e7\u00e3o exemplar, amparada em mensalidades que custam pequenas fortunas. Mas a esperada superioridade estudantil dos n\u00e3o cotistas est\u00e1 longe de ser verdade. A Uerj analisou as notas de seus alunos durante 5 anos. Os negros tiraram, em m\u00e9dia, 6,41. J\u00e1 os n\u00e3o cotistas marcaram 6,37 pontos. Caso isolado? De jeito nenhum. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que tamb\u00e9m \u00e9 refer\u00eancia no Pa\u00eds, uma pesquisa demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema parecido com as cotas tiveram performance melhor do que os n\u00e3o beneficiados. E ningu\u00e9m est\u00e1 falando aqui de disciplinas sem prest\u00edgio. Em engenharia de computa\u00e7\u00e3o, uma das novas fronteiras do mercado de trabalho, os estudantes negros, pobres e que frequentaram escolas p\u00fablicas tiraram, no terceiro semestre, m\u00e9dia de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em f\u00edsica, um bicho de sete cabe\u00e7as para a maioria das pessoas, o primeiro grupo cravou 5,4 pontos, mais dos que os 4,1 dos outros (o que d\u00e1 uma diferen\u00e7a espantosa de 32%).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722286789317165.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6024\" title=\"mi_9722286789317165\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722286789317165-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio interno, a Unicamp avaliou que seu programa para pobres e negros resultou em um b\u00f4nus inesperado. \u201cAl\u00e9m de promover a inclus\u00e3o social e \u00e9tnica, obtivemos um ganho acad\u00eamico\u201d, diz o texto. Ora, os pessimistas n\u00e3o diziam que os alunos favorecidos pelas cotas acabariam com a meritocracia? N\u00e3o afirmavam que a qualidade das universidades seria colocada em xeque? Por uma sublime ironia, foi o inverso que aconteceu. E se a diferen\u00e7a entre cotistas e n\u00e3o cotistas fosse realmente grande, significaria que os programas de inclus\u00e3o estariam condenados ao fracasso? Esse tipo de an\u00e1lise \u00e9 igualmente discut\u00edvel. \u201cEm um Pa\u00eds t\u00e3o desigual quanto o Brasil, falar em meritocracia n\u00e3o faz sentido\u201d, diz Nelson Inoc\u00eancio, coordenador do n\u00facleo de estudos afrobrasileiros da UnB. \u201cCom as cotas, n\u00e3o \u00e9 o m\u00e9rito que se deve discutir, mas, sim, a quest\u00e3o da oportunidade.\u201d Ricardo Vieiralves de Castro fala do dever intr\u00ednseco das universidades em, afinal, transformar  seus alunos \u2013 mesmo que cheguem \u00e0 sala de aula com defici\u00eancias de aprendizado. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo modificador e civilizat\u00f3rio, que o conhecimento \u00e9 capaz de provocar grandes mudan\u00e7as, n\u00e3o faz sentido existir professores.\u201d N\u00e3o faz sentido existir nem sequer universidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722340700678296-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722340700678296-1-300x282.jpg\" alt=\"\" title=\"mi_9722340700678296 (1)\" width=\"300\" height=\"282\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6029\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mas o que explica o desempenho estudantil eficiente dos cotistas? \u201cOs alunos do modelo de inclus\u00e3o s\u00e3o sobreviventes, aqueles que sempre foram os melhores de sua turma\u201d, diz Maur\u00edcio Kleinke, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp. Kleinke faz uma an\u00e1lise interessante do fen\u00f4meno. \u201cEles querem, acima de tudo, mostrar para os outros que s\u00e3o capazes e, por isso, se esfor\u00e7am mais.\u201d Segundo o professor da Unicamp, os mais favorecidos sabem que, se tudo der errado na universidade, podem simplesmente deixar o curso e voltar para os bra\u00e7os firmes e seguros de seus pais. Para os negros e pobres, \u00e9 diferente. \u201cEles n\u00e3o sofrem da crise existencial que afeta muitos alunos universit\u00e1rios e que faz com que estes desistam do curso para tentar qualquer outra coisa.\u201d Advogado que entrou na PUC do Rio por meio de um sistema de cotas, Renato Ferreira dos Santos concorda com essa teoria. \u201cN\u00f3s, negros, n\u00e3o podemos fazer corpo mole na universidade\u201d, diz. Tamb\u00e9m professor do departamento de psicologia da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro vai al\u00e9m. \u201cH\u00e1 um esfor\u00e7o diferenciado do aluno cotista, que agarra essa oportunidade como uma chance de vida\u201d, diz o educador. \u201cEle faz um esfor\u00e7o pessoal de supera\u00e7\u00e3o.\u201d Esse empenho, diz o especialista, \u00e9 detect\u00e1vel a cada per\u00edodo estudantil. \u201cO cotista come\u00e7a a universidade com uma performance mediana, mas depois se iguala ao n\u00e3o cotista e, por fim, o supera em muitos casos.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_97223743166251281.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6026\" title=\"mi_9722374316625128\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_97223743166251281-160x300.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>O cotista n\u00e3o desiste. Se desistir, ter\u00e1 de voltar ao passado e enfrentar a falta de oportunidades que a vida ofereceu. Por isso, os \u00edndices de evas\u00e3o dos alunos dos programas de inclus\u00e3o s\u00e3o baixos e, em diversas universidades, at\u00e9 inferiores aos dos n\u00e3o cotistas. Para os cr\u00edticos teimosos, que achavam que as cotas n\u00e3o teriam efeito positivo, o que se observa \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o maior de negros no mercado de trabalho. \u201cFizemos uma avalia\u00e7\u00e3o com 500 cotistas e descobrimos que 91% deles est\u00e3o empregados em diversas carreiras, at\u00e9 naquelas que t\u00eam mais dificuldade para empregar\u201d, diz Ricardo Vieiralves de Castro. Com o diploma em m\u00e3os, os negros alcan\u00e7am postos de melhor remunera\u00e7\u00e3o, o que, por sua vez, significa uma chance de transforma\u00e7\u00e3o para o seu grupo social. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar como os filhos dos cotistas ter\u00e3o uma vida mais confort\u00e1vel \u2013 e de mais oportunidades \u2013 do que seus pais jamais tiveram.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722413908823365.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6027\" title=\"mi_9722413908823365\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722413908823365-138x300.jpg\" alt=\"\" width=\"138\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por mais que os cr\u00edticos gritem contra o sistema de cotas, a realidade nua e crua \u00e9 que ele tem gerado uma s\u00e9rie de efeitos positivos. Hoje, os negros est\u00e3o mais presentes no ambiente universit\u00e1rio. H\u00e1 15 anos, apenas 2% deles tinham ensino superior conclu\u00eddo. Hoje, o \u00edndice triplicou para 6%. Ou seja: at\u00e9 outro dia, as salas de aula das universidades brasileiras lembravam mais a Su\u00e9cia do que o pr\u00f3prio Brasil. Apesar da evolu\u00e7\u00e3o, o percentual \u00e9 rid\u00edculo. Afinal de contas, praticamente a metade dos brasileiros \u00e9 negra ou parda. Nos Estados Unidos, a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o chamada afrodescendente corresponde exatamente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dela nas universidades: 13%. Quem diz que n\u00e3o existe racismo no Brasil est\u00e1 enganado ou fala isso de m\u00e1-f\u00e9. Nos Estados Unidos, veem-se negros ocupando o mesmo espa\u00e7o dos brancos \u2013 nos shoppings, nos restaurantes bacanas, no aeroporto, na televis\u00e3o, nos cargos de chefia. No Brasil, a classe m\u00e9dia branca raramente convive com pessoas de uma cor de pele diferente da sua e talvez isso explique por que muita gente refuta os programas de cotas raciais. No fundo, o que muitos brancos temem \u00e9 que os negros ocupem o seu lugar ou o de seus filhos na universidade. N\u00e3o h\u00e1 outra palavra para expressar isso a n\u00e3o ser racismo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722451324166295.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6028\" title=\"mi_9722451324166295\" src=\"https:\/\/forumjustica.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mi_9722451324166295-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a aprova\u00e7\u00e3o recente, pelo Senado, do projeto que regulamenta o sistema de cotas nas universidades federais (e que prev\u00ea que at\u00e9 2016 25% do total de vagas seja destinado aos estudantes negros), as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o conhecer uma transforma\u00e7\u00e3o ainda mais profunda. Os negros ter\u00e3o, enfim, as condi\u00e7\u00f5es ideais para anular os impedimentos que h\u00e1 205 anos, desde a funda\u00e7\u00e3o da primeira faculdade brasileira, os afastavam do ensino superior. Por mais que os cr\u00edticos se assustem com essa mudan\u00e7a, ela \u00e9 justa por fazer uma devida repara\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o muitos anos de escravid\u00e3o para poucos anos de cotas\u201d, diz o pedagogo Jorge Alberto Saboya, que fez sua tese de doutorado sobre o sistema de inclus\u00e3o no ensino superior. Acima de tudo, s\u00e3o muitos anos de preconceito. Como se elimina isso? \u201cN\u00e3o se combate o racismo com palavras\u201d, diz o soci\u00f3logo Muniz Sodr\u00e9, pesquisador da UFRJ. \u201cO que combate o racismo \u00e9 a proximidade entre as diferen\u00e7as.\u201d N\u00e3o \u00e9 a proximidade entre as diferen\u00e7as o que, afinal, promove o sistema de cotas brasileiro?<\/p>\n<p>Fotos: Arquivo pessoal; Adriano Machado\/Ag. Isto\u00e9; Ana Carolina Fernandes; Orestes Locatel; Link Photodesign<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.istoe.com.br\/reportagens\/288556_POR+QUE+AS+COTAS+RACIAIS+DERAM+CERTO+NO+BRASIL\">http:\/\/www.istoe.com.br\/reportagens\/288556_POR+QUE+AS+COTAS+RACIAIS+DERAM+CERTO+NO+BRASIL<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ISTO \u00c9 &#8211; COMPORTAMENTO | N\u00b0 Edi\u00e7\u00e3o: 2264 | 05.Abr.13 &#8211; 21:00 | Atualizado em 18.Mai.13 &#8211; 14:52 Pol\u00edtica de inclus\u00e3o de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os \u00edndices de evas\u00e3o. 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