{"id":7718,"date":"2013-12-05T09:00:35","date_gmt":"2013-12-05T11:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/forumjustica.vlannetwork.com\/?p=7718"},"modified":"2022-09-04T21:15:52","modified_gmt":"2022-09-05T00:15:52","slug":"a-dificil-arte-de-viver-a-sombra-das-remocoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumjustica.com.br\/es\/a-dificil-arte-de-viver-a-sombra-das-remocoes\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil arte de viver \u00e0 sombra das remo\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>30\/11\/2013 22:55:39<\/p>\n<div id=\"area1\">\n<div id=\"area6\">\n<div>\n<p id=\"noticia-titulo\"><span style=\"font-size: 1.5em; font-weight: normal;\">Processo j\u00e1 obrigou cerca de 80 mil pessoas a deixarem suas casas. Anistia Internacional critica prefeitura por n\u00e3o informar para onde as pessoas foram enviadas e nem as raz\u00f5es<\/span><\/p>\n<div id=\"barra-superior\">\n<div><strong>ANDR\u00c9 BALOCCO<\/strong><strong> <\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"HOTWordsTxt\">\n<div id=\"noticia\">\n<p>Rio &#8211;\u00a0A escadaria \u00e9 \u00edngreme e tem degraus escavados na pedra. Em meio ao latido dos cachorros, atentos ao movimento estranho, o rep\u00f3rter sobe. Sorriso escancarado, a menina de seus 4 anos passa, descal\u00e7a, sozinha e cabelos desgrenhados. Misturada \u00e0 alegria, a camisa suja, sinal do almo\u00e7o rec\u00e9m-conquistado. \u201cMinha fam\u00edlia est\u00e1 aqui h\u00e1 70 anos\u201d, come\u00e7a V\u00edtor Ferreira Soares, 35 anos, nascido no Santa Marta, em Botafogo. \u201cRoemos o osso trazendo material aqui para cima nas costas, para construir nossas casas, e agora que tem estrada asfaltada e plano inclinado v\u00e3o me tirar? N\u00e3o saio\u201d.<\/p>\n<p>Por \u2018n\u00e3o saio\u2019 entenda-se ser removido. Desde 2008, V\u00edtor e outras fam\u00edlias do Pico, como \u00e9 conhecido o local onde moram na comunidade, lutam para n\u00e3o entrar na estat\u00edstica que est\u00e1 mudando a cara do Rio: 19.567 barracos e casas derrubados em nome do progresso, da amea\u00e7a de deslizamentos ou de obras de infraestrutura. Como nas favelas cada casa tem, em m\u00e9dia, quatro moradores, chega-se \u00e0 conta de 78.268 pessoas obrigadas a mudar de endere\u00e7o, \u00f4nibus, vizinhan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/e5\/lh\/k1\/e5lhk1oofxwbwqjtgw7u2rety.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>Dami\u00e3o, do Salgueiro, j\u00e1 deixou sua casa: ele vai morar em apartamento na comunidade da Tijuca<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0\u00a0Carlo Wrede \/ Ag\u00eancia O Dia<\/cite>\u201cFalta transpar\u00eancia \u00e0 prefeitura\u201d, critica Renata Neder, coordenadora de direitos humanos da Anistia Internacional. \u201cAt\u00e9 hoje n\u00e3o nos informaram os nomes de quem foi removido, para onde e em que condi\u00e7\u00f5es\u201d. A prefeitura se defende. Alega que, at\u00e9 2016, nenhuma pessoa viver\u00e1 em \u00e1rea de risco \u2014 \u00fanico e real objetivo do programa.<\/p>\n<p>Neder cita os casos da Vila Harmonia e da Barra 2, no Recreio, em que moradores foram retirados em nome do BRT TransOeste. Finda a obra, o trajeto n\u00e3o passou por l\u00e1. J\u00e1 as constru\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias tiveram um boom. O munic\u00edpio garante que o processo de desapropria\u00e7\u00e3o \u00e9 dos anos 70 e que a \u00e1rea que sobrou \u00e9 um talude que limita um aterro. Mas qual a raz\u00e3o, para quem mora num barraco, recusar um apartamento? \u201cNo Santa Marta, cada habita\u00e7\u00e3o ter\u00e1 37 m2. Na minha casa, tenho quatro pavimentos e cinco quartos. Minha hist\u00f3ria est\u00e1 aqui\u201d, diz V\u00edtor.<\/p>\n<p><strong>No Salgueiro, troca por casa \u00e9 alvo de elogio<\/strong><\/p>\n<p>Se h\u00e1 quem prometa resistir em suas casas, h\u00e1 tamb\u00e9m quem pense o contr\u00e1rio. Marco Ant\u00f4nio Dami\u00e3o, do Salgueiro, \u00e9 um deles. O cozinheiro conta as horas para ocupar um dos apartamentos que a prefeitura ergue na comunidade, ao lado das resid\u00eancias do projeto \u2018Cimento Social.\u2019<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1rea em que eu vivia era mesmo de risco. N\u00e3o s\u00f3 minha casa, como outras. Quando chove, fica todo mundo com medo\u201d, conta, caminhando em meio a escombros de barracos postos abaixo, mas cujos terrenos ainda n\u00e3o est\u00e3o completamente limpos.<\/p>\n<p>Enquanto a casa n\u00e3o vem, Dami\u00e3o vive de aluguel social, que a pr\u00f3pria prefeitura paga, numa casa na comunidade. \u201cAqui, onde ficava a minha casa, ser\u00e1 erguida uma adutora\u201d, explica. Ele conta que chegou a temer ser esquecido pela prefeitura, devido \u00e0 demora entre a notifica\u00e7\u00e3o e a derrubada de fato da casa. \u201cEstou muito feliz porque vou ganhar uma casa, muito feliz mesmo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Incerteza impede obras de melhoria<\/strong><\/p>\n<p>O ano era 1993. Dona Penha, cansada dos constantes tiroteios na Rocinha, decidiu se mudar para um lugar onde tivesse mais calma. O que ela n\u00e3o imaginava \u00e9 que, meses depois de comprar um barraco por 5.800 cruzeiros na Vila Aut\u00f3dromo, seu pesadelo estivesse come\u00e7ando.<br \/>\n\u201cDesde aquela \u00e9poca que esse menino tenta nos tirar\u201d, diz, referindo-se ao prefeito Eduardo Paes, \u2018prefeitinho\u2019 da Barra na administra\u00e7\u00e3o C\u00e9sar Maia.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, cada vez que p\u00f5e um tijolo no barraco, Penha sofre. \u201cPobre, quando faz obra, faz aos pouquinhos. Tenho medo de melhorar a casa e eles derrubarem\u201d, conta. No Santa Marta, V\u00edtor vive o mesmo dilema. Guia tur\u00edstico, dono de uma das primeiras constru\u00e7\u00f5es do morro, gostaria de investir para receber em seu jardim suspenso, onde cria orqu\u00eddeas em vasos de solas de sapatos. Mas ele n\u00e3o faz nada.<\/p>\n<p>A espera o angustia. Com um contralaudo que nega ser a \u00e1rea de risco, raciocina que h\u00e1 outros interesses por tr\u00e1s da amea\u00e7a. \u201cA estrada que vem por Laranjeiras foi pavimentada h\u00e1 pouco; h\u00e1 um plano inclinado chegando aqui e o trenzinho do Corcovado vive lotado. Por que querem me tirar?\u201d. O governo do estado nega e diz que a \u00e1rea, de risco, ser\u00e1 reflorestada. Com um laudo da Georio que condena a regi\u00e3o, garante todos ser\u00e3o realocados no conjunto em constru\u00e7\u00e3o na favela.<\/p>\n<p><strong>Moradora da Provid\u00eancia diz que vizinhos a culpam por telef\u00e9rico parado<\/strong><\/p>\n<p>A alguns quil\u00f4metros do Santa Marta, na Provid\u00eancia, M\u00e1rcia Regina de Deus observa o telef\u00e9rico pronto \u2014 mas sem funcionar. De sua janela, v\u00ea tamb\u00e9m o olhar torto que alguns vizinhos, antigos amigos, dirigem a ela quando passam pela casa. Ela acha que, para muitos deles, \u00e9 a culpada pela n\u00e3o inaugura\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma liminar que impede novas remo\u00e7\u00f5es por falta de estudos de impacto ambiental e habita\u00e7\u00e3o\u201d, diz M\u00e1rcia, cuja casa est\u00e1 garantida pela lei. \u201cN\u00e3o sou contra a obra, sou contra a forma como foi feita. Tenho 54 anos de Provid\u00eancia. Minha hist\u00f3ria vai para onde?\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/3g\/ox\/qq\/3goxqqndpxos0ywzy4rziqmae.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>M\u00e1rcia aponta o telef\u00e9rico, que ocupou a antiga pra\u00e7a: tristeza por ver os moradores divididos<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0\u00a0Carlo Wrede \/ Ag\u00eancia O Dia<\/cite>Do outro lado do morro, o administrador de im\u00f3veis Roberto Marinho fala sobre a sensa\u00e7\u00e3o de, a qualquer momento, ser expulso da casa onde vive h\u00e1 37 anos. \u201c\u00c9 estranho viver sem saber o que vai acontecer no dia seguinte\u201d, diz ele, quarto representante da gera\u00e7\u00e3o dos Marinho na comunidade. \u201cA prefeitura faz press\u00e3o psicol\u00f3gica. Uma vez, numa reuni\u00e3o com moradores, disseram que n\u00e3o tinha telef\u00e9rico porque entramos na Justi\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>A prefeitura garante que a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. Em nota enviada ao jornal, diz que tem feito reuni\u00f5es com moradores, sempre com a presen\u00e7a de representante da Defensoria P\u00fablica, que conseguiu a liminar. E que refaz estudos para minimizar as remo\u00e7\u00f5es previstas no priojeto original. \u201cMas vai ser constru\u00eddo um plano inclinado ap\u00f3s a esta\u00e7\u00e3o do telef\u00e9rico\u201d, diz a nota. \u201cA escadaria \u00e9 \u00edngreme e idosos e cadeirantes n\u00e3o t\u00eam op\u00e7\u00e3o de deslocamento.\u201d<\/p>\n<p><strong>&#8216;Esta \u00e9 a maior remo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria&#8217;, Renata Neder &#8211; Anistia Internacional<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De fora, quem olha a casa rec\u00e9m-reformada na Pra\u00e7a S\u00e3o Salvador n\u00e3o imagina estar diante da sede de uma das mais respeitadas organiza\u00e7\u00f5es mundiais: a Anistia Internacional. L\u00e1,\u00a0<strong>O DIA<\/strong>ouviu Renata Neder, coordenadora de direitos humanos da entidade, sobre o processo que muda a cara do Rio. Confira:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/9k\/qp\/me\/9kqpmesmvmxrgfj57469ox288.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>&#8216;\u00c9 a maior remo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria&#8217;, diz coordenadora de direitos humanos da Anistia Internacional<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0\u00a0Carlo Wrede \/ Ag\u00eancia O Dia<\/cite>1. O que a senhora acha deste processo de remo\u00e7\u00e3o\/realoca\u00e7\u00e3o?<br \/>\n\u2014 Falta transpar\u00eancia. Esta \u00e9 a maior remo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da cidade, maior que a de Pereira Passos, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, e de Carlos Lacerda, nos anos 60.<\/p>\n<p>2. A prefeitura alega que s\u00e3o obras de mobilidade ou em \u00e1reas de risco&#8230;<br \/>\n\u2014 Sabemos que, \u00e0s vezes, s\u00e3o sim. Mas a prefeitura n\u00e3o nos diz quem saiu, de onde foi tirado e por que isso aconteceu. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos qual o fator de risco e qual o laudo que identificou isso. Pedimos para saber os motivos, mas n\u00e3o respondem.<\/p>\n<p>3. A remo\u00e7\u00e3o da Vila Aut\u00f3dromo alcan\u00e7ou casas fora do tra\u00e7ado?<br \/>\n\u2014 Sim. Faltou clareza sobre o tra\u00e7ado, pois uma curva determina que fam\u00edlia vai sair. Al\u00e9m disso, n\u00e3o falaram do tempo de execu\u00e7\u00e3o da sa\u00edda, ou se existe alternativa ao tra\u00e7ado. O ideal \u00e9 que se pense o projeto de forma que tenha o menor impacto. S\u00f3 porque \u00e9 favela n\u00e3o se deve garantir o direito \u00e0 moradia?<\/p>\n<p>4. E o processo da favela da Restinga?<br \/>\n\u2014 Eles entraram na favela na noite de 16 de dezembro de 2010 e disseram que tinham de sair at\u00e9 o dia seguinte. Teve morador que ficou sem teto e se acorrentou \u00e0 casa. Um desrespeito muito tram\u00e1tico.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/odia.ig.com.br\/noticia\/riosemfronteiras\/2013-11-30\/a-dificil-arte-de-viver-a-sombra-das-remocoes.html\">http:\/\/odia.ig.com.br\/noticia\/riosemfronteiras\/2013-11-30\/a-dificil-arte-de-viver-a-sombra-das-remocoes.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>30\/11\/2013 22:55:39 Processo j\u00e1 obrigou cerca de 80 mil pessoas a deixarem suas casas. Anistia Internacional critica prefeitura por n\u00e3o informar para onde as pessoas foram enviadas e nem as raz\u00f5es ANDR\u00c9 BALOCCO Rio &#8211;\u00a0A escadaria \u00e9 \u00edngreme e tem degraus escavados na pedra. 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