Roda de Conversa em Volta Redonda Dá Voz a Mulheres com Familiares no Sistema Prisional
No dia 3 de outubro, o auditório do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em Volta Redonda, sediou uma roda de conversa que reuniu mulheres com familiares no sistema prisional. O evento foi promovido pelo Fórum Justiça de Volta Redonda, em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMDH), a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) e o curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O encontro destacou a luta por direitos, a invisibilidade e os desafios enfrentados por essas mulheres para garantir direitos fundamentais na prática. A abertura foi conduzida pelo Defensor Público João Helvécio, que ressaltou a importância de ouvir essas mulheres e fortalecê-las como sujeitos de direitos.
A professora Vanessa Fonseca e a estagiária Millena Tavella da Silva, do curso de Psicologia da UFF, apresentaram resultados de pesquisa baseada em escutas realizadas pelo Fórum Justiça junto a mulheres que buscam informações sobre processos judiciais e visitas a familiares presos. “Queremos compreender por que tantas mulheres não se reconhecem como sujeitas de direitos, e que é preciso assegurar a formulação e implantação de políticas públicas intersetoriais voltadas a elas”, explicou Vanessa.
Os relatos revelam que a maioria são mulheres negras, jovens e moradoras de bairros periféricos como Açude, Padre Josimo, Belmonte, Retiro e Santa Cruz. Muitas desconhecem seus direitos e enfrentam insegurança, medo e desinformação ao buscar ajuda nas instituições públicas. Após o contato com a rede de apoio, relatam maior autoconfiança e senso de pertencimento.
Durante o momento de fala, as participantes compartilharam experiências de luta e dor. “L”, moradora do bairro Belmonte, relatou as dificuldades enfrentadas desde a prisão do filho e denunciou abusos policiais, tratamento desumano nas delegacias e precariedade no transporte até os presídios. “Precisamos de psicólogos, apoio jurídico e alguém de direitos humanos nas delegacias”, afirmou.
“D”, moradora do bairro Retiro, relatou o impacto da prisão do filho — detido há 11 meses — sobre sua saúde e relações familiares. Já “L”, do bairro Santa Cruz, questionou os avanços conquistados desde que participa de encontros semelhantes: “O que conseguimos até agora?”, perguntou, reforçando a necessidade de encaminhamentos concretos e fortalecimento da rede de apoio.
A Ouvidora da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Fabiana Silva, destacou a importância de criar fluxos de atendimento mais eficientes. Mônica Cunha, fundadora do Projeto Moleque, lembrou que o racismo estrutural precisa ser enfrentado com formação e compromisso coletivo contínuo.
O encontro foi encerrado com os agradecimentos do Defensor Público e de Josinete Pinto, membros do Fórum Justiça, e da representante da gestão pública, que se colocaram à disposição para dar continuidade ao diálogo em conjunto com a universidade e construir novos espaços de apoio e valorização dessas mulheres.


